sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Isso aqui é porque eu estou destruida com o possível fechamento do Belas Artes que para mim, mais do que um espaço é um lugar que guarda grande parte das minhas memórias e evolução. Fez parte do meu crescimento e ainda faz parte da minha vida.
Eu AMO essa cidade, não vivo mais nela e só eu sei o que sinto só de passar por lugares que como o Belas Artes são uma extenção de mim e saber que eles estão ali do jeitinho que eu deixei e me esperando voltar. E é isso, se o cinema fecha eu entro em luto por mim mesma. Uma parte de mim morre com o baixar daquelas portas. E morre mesmo.
Espaço unibanco que me desculpe, mas o Belas Artes é o Belas Artes.
Estava pensando aqui que um incêndio seria menos trágico que seu fechamento...


Não deixe o cine Belas Artes fechar - NABIL BONDUKI
Milhares de paulistanos estão contra o fechamento desse cinema porque se sentem ligados ao local, que é uma referência cultural e urbana

A mobilização que a notícia do fechamento do Belas Artes gerou fala por si só: o cinema é um patrimônio da cidade de São Paulo.Seu desaparecimento seria a perda de um pedaço de nossas vidas e criará uma lacuna que São Paulo, tão desprovida de memória e de lugares significativos, não pode deixar acontecer. Milhares de paulistanos estão contra esse crime porque se sentem ligados ao local, uma referência cultural e urbana.Não se trata de preservar a arquitetura do edifício, mas seu uso, sua importância como ponto de encontro e espaço de debate cultural. A noção contemporânea de patrimônio é clara: a comunidade, além dos especialistas, tem um papel fundamental na identificação dos bens culturais a serem protegidos.A noção de patrimônio mudou muito desde que o Estado Novo, por meio do decreto-lei nº 25/1937, criou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e instituiu o tombamento. Na época, prevaleceu uma visão restrita, voltada para os bens com valor arquitetônico e artístico, chamada de "patrimônio de pedra e cal".Nessa concepção, os critérios utilizados para a seleção dos bens a serem protegidos eram os de caráter estético-estilísticos, excepcionalidade e autenticidade, valorizando a arquitetura tradicional luso-brasileira, geralmente edifícios isolados, produzida no período colonial.O foco era a criação de uma identidade para fortalecer a construção do Estado nacional.A partir dos anos 1970, essa noção de patrimônio se alargou para abranger sítios urbanos, manifestações de outros períodos e origens culturais e para valorizar os espaços representativos da vida social e dos hábitos cotidianos da população. Em certas situações, esses podem ser mais relevantes que monumentos de valor arquitetônico.Valorizando o contexto urbano e edifícios utilizados pela população, essa visão reserva à comunidade um papel ativo na identificação do patrimônio. O tombamento do cine Belas Artes está respaldado no Plano Diretor Estratégico (PDE), do qual fui relator e redator do substitutivo na Câmara Municipal de São Paulo (lei nº 13.540/ 2002). O PDE incorporou integralmente essa visão contemporânea de patrimônio.Uma das diretrizes do seu capítulo de política de patrimônio histórico e cultural é "a preservação da identidade dos bairros, valorizando as características de sua história, sociedade e cultura" (artigo 89, inciso III); uma das ações propostas é a de "incentivar a participação e a gestão da comunidade na pesquisa, identificação, preservação e promoção do patrimônio histórico, cultural, ambiental e arqueológico" (artigo 90, inciso VII).De modo coerente com o PDE, parcela relevante da comunidade paulistana identificou um bem que faz parte da identidade de um bairro, que é característico da história e da cultura da cidade, e se mobiliza para garantir sua preservação.Não é uma questão nova: em 2003, ocorreu uma grande comoção, que impediu o fechamento do Belas Artes e do antigo Cinearte (atual cine Livraria Cultura). Como parte daquela luta, propus uma lei que permite aos cinemas de rua o pagamento do IPTU e do ISS com ingressos, a serem utilizados pela prefeitura em programas de inclusão cultural.Aprovada a lei e passado o sufoco, erramos ao não propor proteção legal permanente para os cinemas.Agora, não temos tempo a perder; em poucos dias, o Belas Artes poderá ser uma ruína. A Associação Paulista de Cineastas já pediu o tombamento, pedido que eu reforço por meio deste artigo.O Departamento de Patrimônio Histórico deve elaborar um parecer técnico e o Compresp (conselho municipal do patrimônio histórico) deve convocar reunião extraordinária, antes do final de janeiro, para aprovar o tombamento e não deixar que essa nova catástrofe ocorra em São Paulo.

NABIL BONDUKI
é arquiteto, professor de planejamento urbano na FAU-USP e primeiro suplente de vereador da bancada do Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo. Foi vereador de São Paulo pelo PT (2001-2004) e relator do Plano Diretor Estratégico na Câmara Municipal.
(Além de um puta autor, duns puta textos que a gente tem quem ler e apresentar pro nosso puta professor Mestre Jeff na nossa puta matéria de Estudos socioeconômicos. )
Fonte:http://sergyovitro.blogspot.com/2011/01/nao-deixe-o-cine-belas-artes-fechar.html


Dia 26/01 no Studio SP vai rolar uma festa em homenagem a esse que é um dos lugares mais importantes da cidade, para a cidade e para os paulistanos. É o Noitão Baixo Augusta, que reunirá discotecagem e bandas tocando o melhor das trilhas sonoras dos clássicos que com certeza passaram pelo Cine Belas Artes.
Mais informações sobre a situação, manifestações e abaixo assinados no blog de protesto

http://www.querobelasartes.blogspot.com/

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